Desde sempre tive prazer em construir coisas. Na infância, passava horas montando estruturas com Lego; já na adolescência e juventude, meu lado criativo se expressava principalmente por meio do desenho e da pintura. Na fase adulta, esse interesse acabou me levando à marcenaria tradicional. Ao longo dos anos, construí grande parte dos móveis da nossa casa, como os armários do closet e dos banheiros, a cama do quarto de visitas, a cadeira da sala de jantar, entre outros projetos — muitos deles documentados e compartilhados no meu canal no YouTube, onde mostro o processo de construção desses móveis e de outros trabalhos em marcenaria.





A cada novo projeto, surgiam ferramentas, técnicas e desafios inéditos — e com eles cresciam também minhas habilidades e meu vínculo com a madeira. Em 2024, uma reportagem sobre o curso de Luteria da UFPR abriu uma nova porta. Decidi visitar o campus, e bastou atravessar a oficina para entender: no lugar de carteiras, bancadas; no lugar do silêncio acadêmico, o som das máquinas, das lâminas e do trabalho em andamento. Serra-fitas, furadeiras de bancada, serras circulares e desengrossadeiras ocupavam o espaço como instrumentos de uma mesma orquestra. Naquele instante, soube que precisava estar ali.

A construção do meu primeiro violão levou um ano inteiro — um tempo de aprendizado profundo. Não se tratava apenas de montar um instrumento, mas de compreender seus gestos: criar ferramentas, jigs e formas, aprender a ouvir a madeira e respeitar seus limites. Houve desafios, erros e recomeços, mas o resultado foi transformador. Ao final, não era apenas um violão pronto, bonito e funcional, mas a confirmação de um caminho: o da luteria como expressão do encontro entre técnica, paciência e sensibilidade.




